Sonomix: música para dormir

Um novo estudo sugere que ao escutar certos tipos de sons você pode melhorar a sua memória durante o sono. A pesquisa, desenvolvida no laboratório do sono da Universidade de Tubinger (Alemanha), foi publicada na revista Neuron esta semana.

Durante o sono profundo, também conhecido como sono de ondas lentas, o padrão elétrico das ondas cerebrais segue um ritmo lento e oscilante. As oscilações são necessárias para armazenar informações. Sincronizar sons específicos com o ritmo do sono profundo de pessoas que estão dormindo poderia regularizar estas oscilações, e em contrapartida, melhorar a memória.

Com esta premissa, os pesquisadores induziram sons rítmicos gerados para parear o ritmo eletroencefalográfico em voluntários normais, e tocaram os sons da própria oscilação cerebral deles durante o sono profundo. “A beleza mora na simplicidade”, diz Jon Born, chefe do laboratório de sono da Universidade de Tubinger.

Os  testes foram conduzidos em 11 pessoas, durante os quais eles foram expostos a estimulações sonoras ou estimulações falsas. Para testar a memória, foram mostradas 120 pares de palavras toda as noites antes de dormir. De manhã eles foram testados para avaliar o que lembravam. Os voluntários foram expostos a um barulho leve rítmico tanto em sintonia como fora de sintonia com as suas oscilações durante o sono profundo. O sono em sintonia parece ter fortalecido os ritmos cerebrais, enquanto também fortaleceu memórias: os voluntários foram mais capazes de reter associações de palavras que aprenderam na noite anterior. Os ritmos fora de sintonia não tiveram qualquer efeito.

O Dr Jorn resume: “O mais importante é que a estimulação sonora é efetiva somente quando os sons ocorrem em sincronia com a oscilação lenta ritmica continua durante o sono de ondas lentas.”

Este método pode potencialmente melhorar o registro de informações que um indivíduo aprendeu no dia anterior, e também ajudar aqueles que sofrem de distúrbios de memória.  Além dos efeitos sobre a memória, os pesquisadores sugerem que a regularização dos ritmos cerebrais  poderia ser benéfica para os que sofrem de insônia. A regularização de outros ritmos, por exemplo, durante a vigília, poderia teoricamente melhorar a concentração.

No entanto, não vale por enquanto correr para pegar os fones de ouvido. O método não pode aplicado de imediato no momento, porque o ponto essencial é o modelo em circuito fechado da estimulação, que usou na pesquisa o próprio ritmo cerebral dos voluntários como marcapasso, e o registro eletroencefalográfico previu quando devia liberar o próximo som  para melhorar o sono dos dormidores.

A descoberta porém é muito interessante, e logo teremos ibrainmixers para regular o sono. Os chineses estão na frente. Pesquisadores da Universidade de Ciência Eletrônica e Tecnologia de Chengdu usaram EEG para gerar “brain tunes”. O resultado, segundo a avaliação de dez músicos, soou mais como música composta por humanos.

Mais: zona cerebral do gosto musical é identificada.

Virna Teixeira

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